“Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa? Não procedem assim também os publicanos? Se apenas os vossos irmãos saudardes, que é o que com isso fazeis mais do que do que os outros? Não fazem outro tanto os pagãos?”
(S.Mateus, cap.V, vv.46 e 47.)
A escola dos relacionamentos é o convite da vida para a vitória sobre o egoísmo. Viver é de todos, conviver é de poucos, e conviver bem é para quantos disponham encetar nova jornada ante a nossa condição de “cidadãos do universo.”
Cada pessoa que passa pela nossa vida, ainda que superficial e circunstancialmente, é portadora de uma mensagem de vida para nós. Não existem relações casuais.
A boa convivência é quesito de qualidade de vida. Quem a experimenta sorri mais, tem melhor tônus muscular, forra-se do cansaço dos agastamentos, logra melhor nível de sono, vence facilmente a rotina, imuniza-se contra o tédio, amplia sua criatividade e viver na atmosfera da paz.
Livros desatualizam, eventos fecham ciclos, instituições extinguem-se e as tarefas são recursos didáticos, mas os relacionamentos perpetuam na consciência, são as únicas realidades plausíveis de todo o cosmo doutrinário, é a essência do Espiritismo em nós.
Por isso, temos que aprofundar conceitos em torno da alteridade no melhor encaminhamento das nossas questões de amor ao próximo, seja nas atividades educativas da doutrina, seja nas forjas disciplinadoras da sociedade.
Concebamos a alteridade, sem rigor técnico, como sendo a singularidade pertinente a cada criatura. Naturalmente, o conjunto das singularidades humanas estabelece a diversidade. Essa diversidade nos solicita, perante os sábios Códigos do Criador, uma ética nas relações que reflita os princípios de pluralidade natural para a harmonia e evolução.
Assinalemos, assim, de forma compreensível, que a “ética da alteridade” é a nossa capacidade de relativizarmo-nos perante as diferenças das quais os outros são portadores, convivendo em paz com nossos diferentes e suas diferenças, rendendo-lhes respeito e amor na forma como são e se expressam, nas suas particularidades.
Reconhecemos a melhoria das nossas condições pessoais através desse preito espontâneo de reverência, a quem quer que seja, sem que tenhamos que perder a identidade íntima, mantendo-a sempre resguardada pela definição de propósitos e coerência como características de criaturas espiritualmente saudáveis. Ética de alteridade não significa concordar com tudo ou aprovar tudo, ela não nos retira o senso de valor moral enobrecedor, pois nem toda alteridade está engajada nas sendas do bem. Por exemplo: algumas comunidades aferradas ao folclore manterão rituais ou festas que, para o progresso social, em nada cooperam objetivamente, trazendo algum benefício somente para aqueles que fazem cultos a lendas e tradições. Nosso “dever alteritário”, contudo, é respeitar a diferença, buscar aprender algo sobre a “essência do outro” – uma razão profunda e Divina para aquele comportamento, algo “invisível aos olhos” como acentua o inspirado Antoine de Saint Exupéry.
Portanto, perante diferenças sociais, corporais, intelectuais ou de que natureza for, adotemos a ética da alteridade e vivamos em paz.
Muitas pessoas nutrem um terrível vazio existencial porque querem existir mudando o outro, querem se realizar no outro, acham que têm as respostas para ele, querem “anular a diferença” alheia para se sentirem bem.
Por isso é tão comum encontrarmos deficiências no próximo. Sempre achamos que se ele mudasse nisso ou naquilo tudo seria melhor e ele, inclusive, seria mais feliz. Esse é o velho hábito da intromissão perniciosa nas desconhecidas terras do mundo da diversidade, que queremos moldar a gosto pessoal, talhando a igualdade importuna ou contraria os interesses. Muitos conflitos nascem exatamente nesse ato de apropriação indevida da conduta e da forma de ser do próximo. Não sabendo considerar-lhe a singularidade, tentamos combater a diferença ou, o que é pior, adotamos a indiferença…
Pensemos urgentemente na construção da conduta de alteridade em nossas relações.
Prezemos as diferenças e honremo-las com a ética da fraternidade, esse o roteiro saudável proposto por Jesus em Sua sábia interrogação: Porque, se só amardes os que vos amam, qual será a vossa recompensa?
Do livro Unidos pelo Amor – Ética e Cidadania à Luz dos Fundamentos Espíritas
Psicografia de Wanderley S. de Oliveira
Espíritos: Ermance Dufaux e Cícero Pereira
Ouvirás referências descaridosas, em torno do sexo transviado; no entanto, guardarás invariável respeito para com os acusados, sejam Eles quais forem.
Muito fácil traçar caminhos no mapa. Sempre difícil trilhá-los, debaixo da tempestade, às vezes sangrando as mãos para sanar dificuldades imprevistas.
É preciso saber penetrar fundo nas necessidades do Espírito, para enxergá-las com segurança.
Aplica a bondade e a compreensão, toda vez que Alguém se levante contra Alguém, porque, em matéria de Sexo, com raras exceções, todos trazemos heranças dolorosas de existências passadas, dívidas a resgatar e problemas a resolver.
Muitos daqueles que apontam, desdenhosamente, os irmãos caídos em desequilíbrio emotivo, imaginando-se hoje anichados na Virtude, são apenas devedores em moratória, que enfrentarão, amanhã, aflitivas tentações e provações, quando soar o momento de reencontrarem os seus credores de outras eras.
Não condenarás.
Enunciando tais conceitos, não aceitamos os desvarios afetivos como sendo ocorrências naturais. Propomo-nos definí-los por doenças da Alma, junto das quais a Piedade é trazida para silenciar apreciações rigorístas.
Nas quedas de sentimento, há que considerar não somente a fraqueza, necessitada de compaixão, mas também, e muito comumente, o processo obsessivo que reclama socorro ao invés de censura. Não podemos medir a nossa capacidade de resistência, no lugar do Companheiro(a) em crise, e, por isso, é aconselhável caminhar com a Misericórdia em quaisquer situações, para que a Misericórdia não nos abandone quando a Vida nos chame ao testemunho de segurança Moral.
Se Alguém caiu em desvalimento ou desceu à loucura, em assunto do Coração, Misericórdia para Ele(a)!
Em todas as questões do Sexo transviado, usa a Misericórdia por base de qualquer recuperação. E, quando a severidade nos intime a gritar menosprezo, acalentar maledicências, estender escárnio ou receitar punições, recordemos Jesus Cristo, Aquele de nós que jamais tenha errado, em nome do Amor, seja em pensamento ou palavra, atitude ou ação, atire a primeira pedra.
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Encontro Marcado. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Um moço, visivelmente desequilibrado, abeira-se de Chico e pede-lhe orientação para seu caso.
Notamos, ao ouvir a narrativa daquele jovem em processo obsessivo, a acurada atenção do médium orientador, o qual lhe indaga:
- Você está trabalhando?
- Não! Não consigo – respondeu-lhe o moço. Sinto-me muito mal quando tento trabalhar…
E contemplava-o com os olhos fixos e confiantes, aguardando-o do médium uma palavra amiga esclarecedora.
- Isso não!…Você precisa trabalhar; não pode ficar sem fazer nada!
Logo após, envolvendo-o com semblante paternal, amorosamente concluiu:
- Procure um serviço qualquer. Limpa, o chão com um pano molhado, espanar movéis, lavar uma privada…É preciso ocupar seu tempo! Você deve orar e tomar passes, mas é necessário o trabalho.
Aproveitando, talvez, uma pausa que se fez mais longa, indagou-lhe o jovem:
- Penso ir para a roça…O que o senhor acha?
- Faça o que o seu coração pedir – ajuntou –, mas trabalhe! Qualquer serviço na fazenda lhe fará muito bem.
Tentando infundir coragem ao solicitante e atestando a todos nós, que seguíamos aquele diálogo , sua espontânea simplicidade, continuou sereno o abnegado servidor:
- Um dos meus primeiros serviços na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo, foi o de lavar a escarradeira do chefe! Naquela época, usavam-se esses vasilhames nos escritórios e eu tinha o dever de lavá-los!
Passeando em nós seu olhar muito lúcido, conclui:
- Todo trabalho, por mais insignificante, quando feito com responsabilidade, dá paz e alegria ao nosso coração.
Xavier, Francisco Cândido. Da Obra: “Além da Alma” Ditada pelo Espírito Emmanuel
Lembra-te que Deus atende aos homens por intermédio das próprias criaturas e faze da gentileza uma prece constante, através da qual a Celeste Bondade se manifeste.
Muitos recorrem à Providência Divina, entre a revolta e o pessimismo, olvidando a necessidade de compreensão para que o bem se exprima em dons de reconforto, ao redor dos próprios passos, esparzindo a esperança, a fim de que o coração se mantenha preparado, à frente das bênçãos que se propõe a recolher.
Ninguém na Terra é tão bom que possa proclamar-se plenamente liberto do mal e ninguém é tão mau que não possa fazer algum bem nas dificuldades do caminho…
Nos maiores delinqüentes há sempre um filho de Deus, transviado ou adormecido, aguardando o toque do amor de alguém, para tornar à trilha certa.
Sê compassivo e atrairás a bondade!
Sê amigo do próximo e a amizade do próximo virá ao teu encontro.
O carinho fraterno é uma fonte de bênçãos a deslizar no chão duro da rotina ou da indiferença, dessedentando as almas sequiosas que passam.
Realmente, é sempre uma afirmação de fé a nossa rogativa verbal ao Todo Misericordioso e a prece sentida é energizante em nosso próprio espírito, erguendo-nos para os cimos da existência.
O Senhor, no entanto, espera igualmente que nos façamos bons de uns para com os outros, assim como exigimos seja Ele para nós o benfeitor infatigável e incessante.
Não te esqueças de que o Mestre nos espera ao lado das próprias criaturas que caminham conosco, a fim de auxiliar-nos.
Sejamos, devotos da cortesia e da afabilidade, em todos os instantes, para que não aconteça venhamos a dizer, depois da oportunidade perdida: –
– “Efetivamente, o Senhor estava junto de mim, mas, não pude senti-lo”.
Porque, em verdade, pelos fios invisíveis do amor, o Divino Mestre permanece constantemente entrosado à nossa própria vida.
Xavier, Francisco Cândido. Da Obra: “Abrigo”. Ditado pelo Espírito Emmanuel.
DORA INCONTRI – A jornalista e escritora Dora Incontri que lançou no final de 1996 o livro Pestalozzi, Educação e Ética, e nos falou sobre as influências de Pestalozzi na obra da Allan Kardec. Segundo ela, a pedagogia de Kardec deve muito à de Pestalozzi seu professor. Incontri estava começando o doutorado na Universidade de São Paulo – USP com o tema “Pedagogia Espírita”, é autora dos livros: Educação na Nova Era e Estação Terra, além de livros de poesias. Dora também ministra o curso de Pedagogia Espírita, na Feesp.
P: – Qual a maior influência de Pestalozzi no então Professor Rivail?
R: – São várias. Eu não acho que tenha sido casual o fato de ele ser mestre de Kardec, acho que ele foi realmente um precursor do Espiritismo. Uma das coisas mais impressionantes que existe de relação de pensamento é a questão do conceito de religião, porque Pestalozzi já tinha o conceito espírita de religião, uma religião natural, sem hierarquias, sacerdócio, a religião como algo íntimo de homem. O próprio fato de Kadec ter sido um educador, deu à Doutrina Espírita um caráter pedagógico. Então a Doutrina Espírita é uma proposta acima de tudo pedagógica, de educação do espírito.
P: – E sobre a pedagogia de Kardec em relação a Pestalozzi?
R: – Eu tenho alguns textos inéditos em português da época em que Kardec era educador na França. No meu curso de pedagogia na Feesp eu passo alguns desses textos. E muito interessante, são textos dele como educador. Na minha tese inclusive eu pretendo observar a continuidade de pensamento Pestalozzi-Rivail-Kardec.
P: – A organização dos livros básicos da Codificação sofreu essa influência em que sentido?
R: – Em todos os sentidos. A forma que ele escrevia é uma forma didática. Antes de se dedicar ao Espiritismo ele escreveu muitas obras didáticas. A maneira de ensinar a Doutrina Espírita já é uma maneira bastante pedagógica. Outra influência é a síntese do conhecimento. Kardec foi realmente um educador. Como educador ele tinha uma visão de síntese do conhecimento. Se Kardec fosse apenas cientista, ou um filósofo, ou um sacerdote, ele teria destacado apenas aspectos específicos. Como educador ele ficou no equilíbrio da síntese, unindo todas as áreas do conhecimento.
P:- Como foram seus primeiros contatos com as idéias de Pestalozzi?
R: – Através do Espiritismo. Eu escrevi meu primeiro livro sobre educação quando tinha 21 anos de idade, ainda cursando a faculdade. Foi Educação na Nova Era, que lancei em 1984. Nesse livro já coloquei uma pequena pesquisa sobre Pestalozzi. Mandei vir alguns livros da Alemanha e fiz um capítulo sobre Pestalozzi, dizendo que para se formular uma pedagogia espírita teria que se buscar as raízes nele, pois Kardec foi seu discípulo e Pestalozzi foi um dos maiores educadores da humanidade.
P: – Como foi a pesquisa para escrever o livro?
R: – Fui à Europa duas vezes, falei com especialistas em Pestalozzi, peguei as obras dele em alemão, que são obras difíceis, escritas em alemão do século XVIII. O livro, na verdade, analisa o pensamento de Pestalozzi. No final tem uma antologia de textos dele, trazidos pela primeira vez para o português.
P:- Você já vem trabalhando com educação há muitos anos?
R: – Sim, esse livro é minha tese de mestrado em educação. Depois que eu terminei a faculdade comecei a escrever em jornais só sobre educação, mas vi que tinha que aprofundar no assunto e fui fazer mestrado na USP. Já naquela ocasião a minha intenção era fazer o mestrado sobre Pedagogia Espírita, mas não foi aceito. Então eu fiz um tema que tinha a ver com o assunto, que foi Pestalozzi. Agora consegui entrar para fazer o doutorado, onde estarei defendendo minha tese sobre Pedagogia Espírita.
P:- Por que existe essa barreira contra o tema?
R: – Preconceito. Muita gente acha que o Espiritismo é uma seita e não tem conteúdo filosófico para sustentar uma tese. Eles aceitam muitas vezes em estudo antropológico ou sociológico, que encara o Espiritismo apenas como movimento de massa, movimento religioso. Mas ao tomar o Espiritismo como uma filosofia para ser analisada, que é o que eu vou fazer, surgem os maiores preconceitos. Pouco a pouco nós vamos entrando nas universidades, mas o importante é não perder a caracterização espírita e deixar-se contaminar pelo discurso acadêmico.
P: – Que tipo de contaminação?
R: – Eu acho que o Espiritismo tem que se abrir para o diálogo com o conhecimento atual. Por exemplo, Herculano Pires sabia fazer essa ponte entre o conhecimento espírita e toda a história da filosofia, filosofia contemporânea, ele sabia muito bem unir as coisas sem perder a fidelidade a Kardec, às Obras Básicas, à Doutrina Espírita. Às vezes certas pessoas perdem por não resistir à pressão do meio acadêmico.
P: – Qual a necessidade e quais as características de uma pedagogia espírita?
R: – O Espiritismo tem de dar uma colaboração para transformar todas as áreas do conhecimento. Ele tem algo a acrescentar a todas elas. E no ramo da pedagogia, principalmente. As principais vertentes da pedagogia moderna, a idéia de que a criança aprende fazendo, são idéias que vem da tradição, platônica, russeauniana, pestalozziana. A mesma tradição em que se insere o Espiritismo. A essa tradição o Espiritismo acrescenta dados, outra visão de mundo que a pedagogia não tem, a visão da criança como um ser encarnado, como um ser transcendente, como um ser interexistencial, que é um ser espiritual. A pedagogia espírita pode alargar os horizontes da visão do homem. Não só educar para ser um cidadão, mas para seu desabrochar evolutivo.
P: – Como seria uma escola moldada nesse sistema?
R: – Em primeiro lugar qualquer escola teria que mudar completamente. O modelo tradicional de escola não serve mais. Isso todos, mesmo não espíritas, sabem. Crianças ficarem sentadas ouvindo professor falar, não serve mais. A escola espírita teria de ser revolucionária, mesmo dentro de um sistema tradicional. Acrescentando-se ainda a visão da criança como um ser responsável, que já traz uma bagagem, devendo ser estimulada em suas tendências inatas, em suas vocações. Nada de salas de aula tradicionais, mas através de passeios, laboratórios, como o próprio Pestalozzi fazia. Deveria também entrar a visão espírita do mundo, não seriam “aulas” de Espiritismo, como uma catequese, mas uma visão dentro da educação.
P: – O que seria diferente, por exemplo, no ensino de álgebra?
R: – Tudo deve partir da experiência e da observação, nada de maneira abstrata, de acordo com a necessidade de aplicação. Usando o exemplo da álgebra, existe uma escola aqui em São Paulo que faz projetos de engenharia, monta brinquedos, telégrafos, coisas que funcionam. Na montagem dessas coisas usam matemática, desenho industrial. A escola deveria ser toda direcionada para a ação. Aprende-se fazendo.
P: – E as avaliações, como seriam?
R: – É um absurdo toda essa maneira de se avaliar sobre conteúdos decorados. Avaliação tem que serem cima de trabalhos, de projetos, de produção, de criatividade, com uma análise do desenvolvimento do aluno, não simplesmente dando aquelas notas sobre conteúdos decorados. Isso não avalia ninguém. Em Yverdon não existia nota, recompensa, castigo. O que se propunha era justamente o contrário, o ensino mútuo, aqueles que se destacavam em determinado assunto ajudavam os outros.
Ano de centenário de nascimento de Chico Xavier, maior expoente do espiritismo no Brasil, 2010 terá o lançamento de dois longa-metragens sobre ele nos cinemas.
Além da cinebiografia dirigida por Daniel Filho, que deve estrear em 2 de abril, os brasileiros verão em setembro o médium em “Nosso lar”, adaptação do livro de mesmo nome psicografado por Xavier em 1944. Maior clássico da literatura espírita nacional, o romance – que acabou virando série – é contado sob o ponto de vista do espírito André Luiz, que, como um repórter, transmite suas impressões sobre o mundo espiritual pós-vida para Xavier.
Dirigido por Wagner de Assis (“A cartomante”), “Nosso lar” é rico em efeitos especiais. “O filme todo se passa em uma cidade espiritual chamada Nosso Lar, e o maior desafio foi a construção dessa cidade”, explica a produtora do filme Iafa Britz. “Durante meses, nossa diretora de arte e um grupo de arquitetos se debruçaram sobre esse projeto, que é verdadeiramente arquitetônico. Depois, tudo foi recriado pelo pessoal dos efeitos especiais.”
Para a fotografia e os efeitos especiais foram convocados profissionais internacionais, incluindo o diretor de fotografia Ueli Steiger (de “10.000 A.C”, e “O dia depois de amanhã”) e o supervisor de efeitos especiais Lev Kolobov, da empresa canadense Intelligent Creatures (“A caçada”, “Babel” e “Watchmen”). No elenco, “Nosso lar” tem Renato Prieto, Othon Bastos, Ana Rosa, Werner Schunemann, Lu Grimaldi, Nicola Siri e Chica Xavier e Paulo Goulart – que também participa do longa de Daniel Filho.
Sobre a possibilidade de bater de frente com outra produção sobre Xavier nos cinemas neste ano, Britz afirma que “não tem concorrência”. “Um filme é ‘primo’ do outro. ‘Chico Xavier’ sai em abril, e o nosso, em 3 de setembro. E são filmes muito diferentes. ‘Chico’ é baseado em uma biografia escrita por outro autor. ‘Nosso lar’ é uma adaptação de uma obra que foi escrita por ele, um livro que teve tiragem de 2 milhões de cópias e que, estatisticamente, foi lido por 16 milhões de pessoas”, diz a produtora, envolvida no projeto desde 2005.
“Sabemos do potencial do filme e esperamos que ele atinja o público como um todo. Qualquer um pode gostar e se interessar por ‘Nosso lar’. É uma história que pode ser contada não só para quem é espírita mas para qualquer um”, conclui.
Nascido em 1910 no município de Pedro Leopoldo (MG) e morto em 2002 em Uberaba (MG), Xavier publicou mais de 400 livros em vida, todos eles, afirmava, psicografados através de conversas com espíritos. Estima-se que mais de 20 milhões de exemplares de sua obra já foram vendidos.
Um problema existe no campo das boas obras, que surge, de vez em vez, a pedir-nos paciência e reflexão – o problema do ataque.
Reconheçamos que os irmãos mais particularmente chamados a servir são aqueles que se mostram mais intensivamente policiados por incessante e geral observação.
Freqüentemente, por esse motivo, para eles se encaminha o rigor de nossa vigilância, porquanto aspiramos vê-los sem qualquer momento infeliz.
Fácil anotar que, de hábito, cada um de nós, entre os que nos dirigem ou nos obedecem, anela encontrar criaturas tão perfeitas quanto possível. Se nos achamos em subalternidade, queremos possuir chefes que se nos façam espelhos cristalinos de bons exemplos, e, se comandamos, eis-nos a disputar cooperadores, às vezes até mesmo mais eficientes que nós próprios. Acontece, porém, que reponta o dia em que aparecem neles as imperfeições e fraquezas inerentes a nós todos – os espíritos em evolução na Humanidade Terrestre – e choca-se-nos o ideal com a realidade. Quando desprevenidos, atiramo-nos à censura sem perceber, ameaçando, em muitas circunstâncias a estabilidade das tarefas que mais amamos, ao modo de tresloucado escultor que se precipitasse a exigir a obra-prima de um dia para outro, golpeando o mármore impensadamente.
Por ocasião de quaisquer ataques, no âmbito das realizações nobres em que nos encontremos afeiçoados, verificaremos, assim, sem qualquer dificuldade, que eles são endereçados geralmente aos companheiros que estão trabalhando e produzindo o bem de todos, mesmo porque, em verdade, nas construções respeitáveis, não há tempo a perder com os irmãos ainda voluntariamente estirados na inércia.
À vista disso, nos momentos de crítica, levantamentos uma pausa dedicada à oração, porque o Senhor nos alumiará, norteando-nos a atitude; se houver erro a corrigir, alcançaremos o tato da caridade para saná-lo no reajuste; se nos achamos atacados, desculparemos, de imediato, quaisquer ofensas, multiplicando as próprias forças na precisa abnegação; e se estamos atacando alguém, aprenderemos, para logo, a identificar o lado bom da pessoa, situação, acontecimento ou circunstância que nos preocupem na causa edificante a que tenhamos empenhado o coração.
Na hora do ataque, seja qual for, recorramos ao apoio da bondade e ao recurso da prece, de vez que a oração e a misericórdia nos trarão um raio de luz da Mente Divina, ensinando-nos a ver compreender, amparar e harmonizar, auxiliar e servir.
Xavier, Francisco Cândido. Do Livro: Alma e Coração. Ditado pelo Espírito Emmanuel
Dizes-te numa época de tensão, na qual os sucessos de ordem negativa surgem aos montes, compelindo-te aos mais graves testes de fortaleza moral.
Tão grande a massa de conflitos, na esfera da alma, que muitos dos nossos irmãos de jornada evolutiva se recolhem à retaguarda, buscando refazimento, quando não a cura dos nervos destrambelhados.
À vista disso, indagas, por vezes, como trabalhar eficientemente e, ao mesmo tempo, resistir com êxito ao assédio da inquietação. Realmente, isso envolve questão muito importante no mundo íntimo de cada um de nós, porquanto nem podemos parar nos domínios da ação e nem desconhecer a necessidade de equilíbrio para suportar construtivamente as provas que venham a sobrevir. A única solução a nosso ver, será focalizar a mente do Espírito do Senhor, e Ele, o Divino Mestre, dar-nos-á rendimento em serviço e descanso ao coração. Se aparecerem dificuldades imprevistas, entrega-lhe os obstáculos que te aborrecem, e prossegue no dever que te esposaste. Se tribulações te caírem na estrada, imagina-lhe as mãos vigorosas nas tuas e procura atravessa-las, de ânimo firme, aproveitando a lição bendita do sofrimento. Se problemas te desafiam, transmite-lhe as tuas apreensões e atende com paciência aos encargos que a vida te reservou. Se amigos te desertaram, mentaliza nele o companheiro infalível e continua fiel aos compromissos que te honorifiquem a existência.
Dividamos diariamente com Cristo de Deus a carga abençoada de trabalho que nos pese nos ombros. Ele é o gerente de toda a empresa de elevação e sócio provedor de todas as nossas necessidades. Deixa que o Senhor faça por ti a carga de trabalho de não consegues fazer, e segue a frente oferecendo os melhores recursos de que disponhas, no desempenho das obrigações imediatas que te compete, e observarás que quaisquer aflições se dissipam, em torno de ti, como as sombras se desfazem à luz dos Céus, a fim de que sirvas alegremente, no bem de todos, com invariável serenidade, de sol a sol.
Xavier, Francisco Cândido. Do Livro: Alma e Coração. Ditado pelo Espírito Emmanuel
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